Desculpe-me por ter fingido
Ser alguém em quem se pode confiar.
Desculpe-me por ter perdido
Horas e horas suas a fio,
Pois sou um bêbado vadio
Que a nenhum lugar vai chegar.
Sou o retrato do fracasso
Sou na vida somente um quase,
Um sujeito de todo, de tudo, lasso.
Somente a flutuar em mais um sonho
Com meu feliz coração tristonho.
Não há nada que eu não desgrace.
Fuja rápido enquanto há tempo
Para não te contaminar minha melancolia
E a lamúria de meu tormento.
Corra para onde te achar eu não possa
Para que não mergulhe nessa mesma fossa
Que esperança alguma lhe trazer poderia.
(Não só minhas atitudes como eu inteiro sou inadequado.
Se quero rir, choro; se quero chorar, rio.
Se quero aproximar algo, afasto; se quero afastar, aproximo.)
E nessa agonia profunda,
Que a minha existência inunda,
Não quero que você se coloque.
Sou de Midas o toque.
Poema do Pretérito Mais que Presente
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