terça-feira, 14 de setembro de 2010

Carta a um amigo

Para que lançar ao lago
A pedra nas águas plácidas
Em vez de então apreciá-lo
Ao sol ameno do outono?

Admira as folhas que caem
As que persistem no galhos,
Verdes ou amarelas,
Pois hão de ser sempre folhas.

Lava-te o lasso rosto
No frescor das águas calmas.
Sobre a relva, senta-te
À sombra da grande árvore.

Saiba que a vida é tua
E tu o único dono.
Segue pelo caminho
Que na hora desejar.

Se quando o for seguir
Não encontrar o teu rumo,
Dá, pois, azo ao teu prumo.
Aproveita o tempo e descansa.

Observa atento os tropeços
Dos que passam apressados,
Perdem-se pelos caminhos
Que nunca hão encontrado.

Já se dormir ao relento,
Usa-te do firmamento
Para cobrir-te a alma,
Aquecer o coração.

Na manhã, quando acordares,
O instinto te dirá
O que tu deves fazer
Logo que te levantares.

Não te importe com nada
Que à alma bem não faça
Maior que o mal causado
Por tuas preocupações.

Deixa a morte para a morte
E tua vida ter vida.
Não vá te despedir cedo
Dum grande futuro ledo.

Busca ter a vida plena,
Sem carências ou excessos.
Em suma minha caneta
Quer somente dizer-te:

Integra à Natureza
Que sem rancor ou tristeza
Vive sem querer mais que a vida
Vive sem querer nada.

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