Como nem tudo são flores, tenho
de lhes dar uma má notícia. Estive incomunicável na semana passada - sequer dispunha de
telefone, quanto mais internet - a desfrutar a Natureza. Sexta-feira, ao retornar, ainda no ônibus conferia meus e-mails e
descobri que para o Livro de Um Desconhecido sair antes do Natal deste ano, eu
precisaria enviar o trabalho final até o dia 25 de outubro. Era já 26.
No entanto, apesar de não poder
aproveitar o espírito do consumo que caracteriza a grande data do cristianismo,
terei mais tempo para os pequenos e quase intermináveis ajustes finais. Se não
fosse pela falta de paciência, não fosse pelo desarrazoado e autoritário
“Basta!”, creio que seria impossível terminar qualquer trabalho.
A tentar me convencer sobre os
pontos positivos do atraso, cheguei em casa e vi um grande envolope passado por
debaixo da porta. Notei que aqueles números do envelope eram estranhos: um CEP
de sete dígitos e um número de telefone que começava com “256”…
Havia sido enviado pela
Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, de Oliveira de Azeméis, em Portugal.
Tratava-se de um convite para a Cerimônia de Entrega de Prêmios do XIII
Concurso de Poesia Agostinho Gomes, lá em terras lusitantas. Não que eu
houvesse ganhado algo, mas era convidado a estar presente.
Mas, nesse Yin-Yang, o evento ocorrera no dia 26 de outubro mesmo, às 21h do
horário local. Olhei o relógio: 18h11. Onze minutos de atraso. Infelizmente eu
não poderia cruzar o oceano em tempo hábil. Em pensar que meus planos eram de
passar as férias lá, mas o custo do euro me fez deleitar com o destino que
nos é próximo em Visconde de Mauá. Tudo bem. No próximo, esforçarei-me em
comparecer. Poderiam ter postado um pouco antes dos 9 de outubro em que
fizeram, mas…
Minha memória revolveu-se
magicamente e me trouxe à lembrança um evento no qual eu, quando criança,
ganhei num sorteio. O único que ganhei na minha vida. Seis meses de curso de
espanhol grátis! Contou-me o amigo André no dia seguinte. Como ele era um
brincalhão, perguntei ao Rafael, que me confirmou. Eu não compareci. Sortearam
de novo.
Será que encontro na internet o
resultado do concurso? E não estando meu nome no resultado, haverá uma Ata ou
Memória de Reunião para que eu possa saber o que aconteceu? Terá sido o mesmo?
Eduardo Martins, ó, Dudu, se tiveres algo a me contar do velho continente ou
souberes d’algum meio de obter tais documentos, escreva-me!
OBS: Depois de escrever essa postagem, verifiquei na internet
e - obviamente - não fui eu o premiado. Quero muito comentar sobre concursos e
premiações, mas deixarei para alguma crônica mais adiante.
Os poemas premiados estão no
link: http://www.bm-ferreiradecastro.com/documentos_bmfc/pag_principal/ag_poesias_premiadas.pdf
Os premiados foram, nesta ordem: Paulo Carreira, Lurdes Breda e António Accioly.
Caso tenham curiosidade, eu havia inscrito os poemas:
E
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