sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Zoológico

Dói-me fundo o vazio por não ter nada;
Não ter um lugar privado e silencioso
Para, em um momento como este, deixar minha vida abandonada.
Minha penúria pessoal e muda não me permite gozo.

Da noite, na calada, rolam quietas e amargas lágrimas
Pela ardência que me sobrou nas costas
Após ter-me sido roubado o par de asas, a dádiva
Que sequer um dia tive, mas deixou a ferida exposta.

A marca da vergonha e da humilhação, do desgosto
Que sei, que sou, que sempre serei mesmo se obtiver um novo par.
Da ferida surgirão asas de um preto, o mais fosco
Destacando a presença e o rosto daquele não pode voar.

Não posso fugir dos olhares curiosos e/ou opressores
Que me julgam, desta jaula, pelo “lado de fora”
Com seus padrões morais de valores sem valores.
Não posso gritar a desgraça que, em mim, mora.

- sumam desapareçam, morram todos seus miseráveis!
Esse é o grito de desesperança entalado na garganta
Que todas essas ações abusivas, egoístas e deploráveis,
Esse estupro da privacidade, em mim, planta.

Brilhar no céu uma estrela é o que falta,
Que permita não cortarem meus desejos, que
Deixe-me vagar de maneira tranqüila e incauta
Simplesmente aproveitando meus, de sonhos, lampejos.


*Poema d`O Eu Mais Íntimo

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