sexta-feira, 30 de julho de 2010

Em Brasília, 19 horas

Para qualquer lugar que eu olhe
Apenas vejo dentro de mim
E estou a beber da angústia um gole
Nessa densa treva sem fim.

Aprecio este crepúsculo eterno
Com seu magistral brilho vermelho
Desse seco dia do imenso inverno
Que é também de mim um espelho.

Noite após noite, sem dia que entremeie,
Passo todos os dias a sonhar
Pois eu cansado deitei-me
Sobre a relva que não há. (é de cimento!)

Rodeado por tanto concreto
É irônico que de concreto nada tenho
Somente o meu imaginar quieto
Que não demonstra muito engenho.

Neste mundo de cimento
Não cimento nada para o futuro.
Sobre este chão cheio de conhecimento
Sento e não mais vivo ou penso, duro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário