Quantas perfídias a vida nos traz!
Só de pensar em olhar para trás
Já se me escurece a torpe vista
E a alegria de mim sempre dista.
Por que um dia sequer eu consigo
Distrair-me do passar do tempo com amigos,
Voltar-me para o sol impossivelmente real e sorrir
Sem pensar em deixar-me para sempre partir?
Cansei de meus olhos sempre secar, como vês,
Com espera de anseios irrealizáveis.
O céu foi-se de vez embora.
Vagueam na mente diversas confusões
Despertando centenas de emoções
As quais não dá mais para conter.
Veja quem quiser e puder ver!
Tento repor as fibras do coração
E vejo, não é possível mais não.
Deixe-me deitar aqui sobre o chão.
Tentar pegar a vida com a mão...
O sino bate agora a hora zero
E eu confiantemente lhe espero.
Juro não titubear.
Quando na praia rebentar a vaga
Nunca pense ser isto uma praga.
É o meu sempre querido destino
Que tenho sonhado desde menino.
Se na hora da alvorada eu lançar
Confiante meu corpo duro ao mar,
Não se admire pois estou certo
De que meu fado é qualquer deserto.
Apenas deixei de jazer na alma
Para, dotado de imensa calma,
Eu abraçar a tenra negra nuvem
Que acima paira, mas vocês não vêem...
Comigo, por favor, não se irrite
Este foi meu longínquo limite.
Não posso mais um dia suportar
Passar o meu tempo em qualquer lugar.
Meus sentimentos são cacofonia!
A mais terrível que ninguém quereria
Se quer por um só segundo ouvi-la
A criatividade também morreu.
E agora? Nunca saberei quem sou eu?
Não saberão sequer que eu existi,
Que triste sentou um homem aqui.
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