quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Peregrinação

Procuro. Procuro por um caminho.
Caminho que sequer existe.
E se não bastasse, não sei o caminho.
Não sei o caminho e inda sigo o errado.
O errado porque também não existe.
E, na trilha, não encontro as coisas.
As coisas que tenho e sei quais são.
Sei, porém não posso mostrar
Já que não consigo ver, mesmo vendo.
Vendo a todo tempo, sempre!
E choro todo dia,
Mesmo que não role por meu rosto
A lágrima. A lágrima
Pelas coisas que não são nada
Embora sejam tudo,
Pelo caminho pelo qual corro parado,
Por tudo, por tanto, portanto.
E para quê? Por quê?
Um sonho.
Sonho que sonho sem sonhar.
Mas sonho a todo instante
Porque amo e desejo, todavia,
Não... não quero.
E para quê? Por quê?
Por uma vida,
Um sonho, uma lágrima.

2 comentários:

  1. São essas coisas que temos e não podemos mostrar o que mais me indgna na nossa existência. Mas que bom que temos a poesia... assim podemos ter ao menos noção que existem coisas que temos que não podemos mostrar.

    ResponderExcluir
  2. o único tesouro de verdade é o que não se vê.
    Todo o resto é só embalagem.

    ResponderExcluir