As pedras em chamas que caem do céu,
E perturbam meu lago lívido e sereno
Nas entranhas do recinto escuro e vazio
Onde o silêncio da solidão não é o veneno.
Gotas de chuva caem com lembranças
Do passado e fazem meu corpo desfalecer
Com angústias e tristezas do anoitecer.
Das desonras do mundo não se cansas?
Suave o gotejar da chuva de hoje
Não esconde o avassalador mundo de ontem,
Pois ainda esperam que elas, os corpos, contem.
Eu somente espero o deserto árido resultante.
As alegrias pelas tristezas brotam neste instante.
Nota-se, então, que não há monstros errantes,
Todos têm seus amigos na casa dos milhares.
Não os condeno... Espero a cabeceira de mármore.
Manhãs brilhantes não existem mais.
Saudoso sou da infância de alegria e paz,
Que hoje não mais parece ter sentido;
E eu com minha melancolia, apenas durmo.
E eu sonho com um outro mundo,
Com a lenda do vagante moribundo,
Maldições causadoras do temor ao homem,
Apenas por magia tais coisas somem.
Unicamente os sonhos amenizam o viver
A esperança que há é a de bem cedo jazer,
Desfrutar do álcool e dos prazeres carnais.
... Macambúzios, atolamos nestes imundos lamaçais.
Quando tudo passa espera o melhor.
Não tento enganar-me com lembranças falsas,
Tudo sempre tende a tornar-se pior.
Não há salvação, morrer parece a solução!
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