terça-feira, 20 de setembro de 2011

Minha Poesia


Às vezes releio meus poemas
E não encontro um que preste.
Fico em dúvida se nestes momentos
Eu estou com algum surto pessimista
Ou lapso de consciência.

Leio-os outra vez,
Mas há algo (que não há) que lhos falta.
Parecem carecer de alvorada ou crepúsculo,
De algo para dar vida às letras.

Não consigo transpor o que
Cresce em meu peito e obstrui
Toda e qualquer ação ou inação,
Pensamento ou emoção que eu deveria ter.

Compreendo que há algo
Que deveria sair poesia se escrito,
Mas é longo o transcurso
E a vida se perde com o tempo.
Quando levanto-me da cama
Para procurar um papel e caneta,
Cronus já esta a deteriorar
Aquilo que antes era ardor.
A chama enfraquece pela falta
De oxigênio ou combustível outro.
E quando me ponho finalmente a escrever,
É somente isso que sai.

Essas frases que eu mesmo critico.
Por mais que tenham ideias e,
Pelo menos para mim, representem algo
Ao recordar do momento em que as criara,
Não estou certo se são poesia.

Releio-os e penso:
É esse O Eu Mais Íntimo
Que se tem para mostrar?
É só isso todo o ser mais profundo?

Talvez com o passar do tempo
Também as letras tenham envelhecido...
E com elas os poemas que escrevi;
E o sentimento que outrora depositei nelas
Agora já se foram sem se despedir.
A poesia se foi e
Restaram palavras vazias.
Jazem apenas letras mortas sobre o papel.


Nenhum comentário:

Postar um comentário