Ao caminhar pela rua
Ouvi um cão ganindo
E vi os passantes compadecidos
Ante o sofrimento do cachorro.
E sorriam contentes
Ao ver que não havia nada.
Estava tranquilo com seu dono
Que não o maltratava.
Mas do outro lado ninguém viu
Que sentado no chão
Com lágrimas a verter dos olhos
Soluçando com sofreguidão
Estava jogado um homem
Onde a fortuna lho pôs,
Sem condições ou esperança.
Completamente ignorado.
É o dom da gente da rua
De ser invisibilizada.
Quando os veem, os transeuntes
Sentem nojo ou raiva
-Não a tristeza e a vontade
Que se propunham para o cão
Para tirá-lo da dor e da penúria -
Sentem repulsa e medo.
Mas estes são tornados invisíveis
Para manter a ilusão
De que a 'coisa' vai bem.
Bem vindo ao século XXI.
Nenhum comentário:
Postar um comentário