quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ao Lado Da Redenção

Ao caminhar pela rua
Ouvi um cão ganindo
E vi os passantes compadecidos
Ante o sofrimento do cachorro.

E sorriam contentes
Ao ver que não havia nada.
Estava tranquilo com seu dono
Que não o maltratava.

Mas do outro lado ninguém viu
Que sentado no chão
Com lágrimas a verter dos olhos
Soluçando com sofreguidão

Estava jogado um homem
Onde a fortuna lho pôs,
Sem condições ou esperança.
Completamente ignorado.

É o dom da gente da rua
De ser invisibilizada.
Quando os veem, os transeuntes
Sentem nojo ou raiva

-Não a tristeza e a vontade
Que se propunham para o cão
Para tirá-lo da dor e da penúria -
Sentem repulsa e medo.

Mas estes são tornados invisíveis
Para manter a ilusão
De que a 'coisa' vai bem.
Bem vindo ao século XXI.


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