quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mais De Um Decênio


Neste momento não posso negar.
Que é com o mais profundo pesar
Que sua triste partida eu aceno
E incomensuravelmente peno

A perda da querida companhia.
Brota em mim qual erva daninha
O súbito termo da romaria.
Fato inevitável, eu sabia,

Mas pronto eu estaria nunca.
À minha melancolia se junta
A lembrança do tempo que passamos.
Como foram bons os mais de dez anos

Nos quais conhecemos o Brasil.
Agora resta somente o vazio
Em vez da efervescência política
E da vida cultural e artística

Que nós visitamos na Argentina.
Foi-se a alegria que me fascina
Até hoje por ter sido sublime
E não importa o quanto eu imagine...

Nada substitui a paz do Uruguai.
Se é seu destino, segue-o. Vai.
Foram tantos lugares e histórias...
Se só disso fosse minha memória...

Desfrutamos prolongada estadia
No Rio, Porto Alegre e Brasília.
Sempre você pegando no meu pé.
Juntos no Chuí, na Praça da Sé...

Houve também discórdia, é bem verdade,
Mas nunca houve maior lealdade
Que a da firme convivência nossa
Cuja harmonia nossa vida adoça.

Você inda lembra daquela vez
O que por ciúme você me fez?
Com meu guarda-chuva você sumiu.
Deixou-me da tempestade no frio.

Não me lembro se alguma vez lhe disse,
Porém eu perdoei sua tolice
Em nome de tudo que compartimos
Desta vida nos baixos e nos cimos.

Incompatíveis já éramos sim
A qualquer outro para qualquer fim.
Vá tranquilo por seu caminho, amigo,
Pois dera a sua vida um sentido.

Amargarei saudades de você,
Pois pouco ou nada mais posso perder.
Com estes sinceros versos lhe velo
Meu grande companheiro. Meu chinelo.

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