terça-feira, 8 de junho de 2010

Caminhar com o mundo

Às vezes os meus sentimentos,
Sinto-os na terceira pessoa.
Não sou eu quem diretamente os sente,
Mas um outro eu dentro de mim
Que volta e meia conversa comigo.

Hoje o eu que não eu, o outro,
Contava-me desejar profundamente
Algo que lhe era impossível conter
E era tudo que queria, porém somente que...

Que a única janela a se abrir
Sejam as minhas próprias pálpebras
Que mesmo fechadas, se as olho,
Permitem-me ver em sua escuridão.

Que se houver portas em algum lugar,
Sejam somente as da mente,
Sempre sem qualquer tranca,
Abrindo ao mero ensaio de desejo.

Que o sol nos dê bom dia,
Não por educação, mas por de fato desejá-lo.
Que um rio atravessado entre mim e o destino
Não seja um obstáculo, mas uma pausa para lazer.

Eu prefiro a terra ao asfalto,
As árvores aos edifícios,
As cachoeiras aos chuveiros de água quente,
O caminhar tranquilo à pressa dos carros e ônibus,
O som dos pássaros, grilos e sapos,
O sibilar do vento e o farfalhar das folhas
Ao silêncio da alma, da voz contida
No claustro urbano a céu aberto.

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