quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Apenas um sonho

Caminhava pelo campo de grama baixa
Quando percebi ao fundo um arco íris no céu.
Mas não era um arco estático, um véu
E sim como que um rastro de algo que passa.

Aos poucos esse algo vai perdendo sua força
Descrevendo arcos cada vez menores
E também se vão esmaecendo as cores
Até que o arco em circunferência se torça.

Eram rastros de esferas aquela cor toda,
Mas cada qual o seu brilho encerra
E lentamente as sete esferas descem à terra
Girando como se dançassem cantigas de roda.

Curioso, até onde elas chegaram, ando.
Em pouco tempo chego do arco íris ao fim
E lá onde descansam as esferas, alheias a mim,
Encontro num parquinho, crianças brincando.

Então mostrei a elas como se pode mudar
A cor daquelas esferas se, ao tocá-la,
Se mentaliza outra e ao toque se cala,
Fecha os olhos e respira fundo o puro ar.

Mas uma delas não acreditou no ritual.
Pensou ser truque, não criu no que viu
E durante o processo os olhos abriu
Sem notar que isso só lhe fazia mal.

Perdeu a esperança. Nisso as mágicas esferas
Desapareceram todas, restando somente
A que o cru olho humano da gente
Ousou tentar descobrir a ilusão qual era.

Virou a esfera pedra dura e cinzenta
Real e concreta como qualquer outra.

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