Tenho lido nos jornais
Protestos na Tunísia, Egito, Líbia,
Bahrein, Marrocos...
Tanto acontecendo na Grécia
E na Tailândia e Ruanda!
Isso para não falar da Dominica
E dos resultados do terremoto no Chile.
Hoje o vulcão lança sobre a Europa
As cinzas que na Islândia deixou a crise.
O absurdo plebiscito dos minaretes na Suíça,
O véu, a burca e os ciganos na França,
A aversão à imigração no Arizona e na Espanha,
Os sucessivos massacres causados
Pelos homens que perderam a esperança
E decidiram enlouquecer
Só para mostrar que ainda tem vontade.
E ante tudo isso, eu, olhando pela janela
(Quando acho uma)
O pacato ir e vir pro trabalho.
As luzes que se acendem e apagam
Nas milhares de residências.
(Nas ruas se acendem quando se quer dormir)
São poucos os que circulam essa hora.
É tranquilo e silencioso.
Mas gritam dentro de mim os gregos
E todo o movimento do mundo
Que me é quase como um filme
Desses da moda agora, em 3D,
Que quase, de tão real, se pode tocar,
Mas some ao toque dos dedos
E tudo se embaça ao tirar os óculos que nos entregam
Para fingir ser mais real.
A platéia se distrai
Como se fosse verdade.
Ainda assim os sentidos se enganam.
Às vezes tenho por quase certo
Que é o mesmo que se passa
Ali embaixo da sacada.
Toca o despertador.
Hora de ir me vestir para trabalhar.
Pego meus óculos na escrivaninha
E saio de casa com um pensamento,
Quase um desejo, que martela na minha cabeça:
Para o mundo que eu quero subir!
Nenhum comentário:
Postar um comentário