Ao passar pelo interior do Mato Grosso
Não pude deixar de lembrar de Goiás.
O pensamento de outrora floresceu ainda mais
Entre a propriedade e a terra, ante o fosso.
Admirava tranquilo o longínquo horizonte,
Sempre inalcançável, que se estende naqueles campos,
E a luz quase mágica dos pirilampos
A substituir o sol que se escondia atrás da ponte
Que sobre o rio, impávida descansa
Enquanto as águas correm apressadas
E arrastam as folhas com seu destino cada
De levar todas ao oceano, na ânsia.
Apreciava distraído o inefável quadro
Quando alguém me disse que tinha de sair;
Que eu não podia estar sentado ali,
Pois estava em terreno privado.
Em vão discuti da posse o direito,
Mas era ele só um pobre capataz
Que ao me expulsar, mal sabe o que faz.
Só obedece da terra o dono. O prefeito.
Saio dali com a certeza de ter sido roubado.
Impedido até mesmo de com o horizonte sonhar.
Cerceado de escolher meu destino onde desejar,
Pois por toda a parte o caminho é murado.
E eu, preso do lado de fora.
Poema do Vida e Poesia
Nenhum comentário:
Postar um comentário