Algo que se almeja e sempre se teme
É, da vida, conseguir o leme.
É manter esticadas as velas
Receber tempestades nelas
E resistir ante as intempéries.
Há que se saber, de ancorar, a hora
E também quando se deve ir embora;
Nunca restar somente à deriva.
Apreciar a lua, bela diva,
Sem ceder à nostalgia excessiva.
Tem-se do azul mar a amplidão
Para velejar com o coração.
Não negar nunca os fatos
Resultantes de seus atos.
Orientá-los pelas quimeras e sonhos
Dos momentos tristes e risonhos.
Não desfalecer sob os grilhões e correntes.
Enfrentar os medos recorrentes.
Aproveitai a solidão, ó marinheiro,
Noite e dia neste intenso cruzeiro.
Não preocupar-se jamais com a morte.
Modificar sempre a própria sorte.
Não há destino ou acaso
Se não se permanecer lasso.
(já não tenho mais medo da vida)
Seja a vista ruim ou boa,
Esteja impassível à proa.
Se quiser altere o percurso
Todavia, sê firme em teu pulso.
Os pés no convés e as nuvens a teus pés.
Nenhum comentário:
Postar um comentário