segunda-feira, 20 de junho de 2011

Reflexão à Alvorada


Já não mais quero ser eu mesmo.
Creio isso ser hoje impossível.
Sempre ergue-se-me uma muralha,
E meu caminho (meu?)...É temível.

Desejo simplesmente ao menos ser.
Assim poderei dizer que algo é meu.
Toda vontade que nunca tive,
Nem vivi sua força em mim...Faleceu!

Nada me consola ou alivia.
Nunca fui, não sou ou serei.
Desisto, pois, a escuridão do firmamento
Se me impõe em todas as manhãs.

Encolhi, murchei, morri!
Se é que já brotei ou vivi...
O desespero daqueles quadros lá,
Do outro lado da janela, é-me tão familiar.

A alvorada no firmamento
Mostra que a noite já passou;
E nem houve sequer um momento...

Vou-me sem jamais ter estado.
Estou sem ao menos ter sido.
Não sei o que sou, contudo,
Compreendo o que não fui...
Tudo.



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