Caminhando
pelas ruas neste domingo,
Dia
em que normalmente são calmas e vazias,
Deparei-me
com aquela multidão e balbúrdia,
Som
de bumbos, cornetaço, bandeiras e gritos
Ante
a enorme euforia e ânimo
Que
não podiam esconder os cidadãos,
Pensei
que os olhos tivessem se aberto e eu fosse presenciar
A
tão afamada Revolução Popular.
Mas
claro que não! Que tolice...
Era
a final do Campeonato Gaúcho!
Quando
autoriza o prefeito o roubo
Na
forma de aumento nas passagens de ônibus;
Quando
os governadores são acusados de corrupção;
Quando
senadores são senhores feudais;
Quando
empresas demitem em massa;
E
carros de luxo estacionam, aos cuidados dos flanelinhas,
Ao
lado dos moradores de rua;
Quando
sindicatos se vendem e direitos são cortados;
Quando
as contas públicas não fecham
E
se descobrem mansões de parlamentares;
Quando
se destroem as matas e expulsam os índios;
Quando
se vendem sem sequer nos consultar
As
terras que sempre habitamos;
Quando
as eleições são farsa
Que
trocam presidentes, governadores, prefeitos,
Mas
são sempre os mesmo governantes;
Quando
empresas enriquecem e salários não aumentam;
Quando
a jornada é longa e as condições precárias;
Quando
o desemprego assusta e o assédio moral impera;
Não
se vê nenhuma movimentação.
Onde
foi parar toda aquela energia?!
Onde
se esconde aquela gente cheia de si
Que
não teme o Estado e sua polícia?
Quando
será que se aprenderá a sair do torpor e direcionar o ânimo?!
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