quinta-feira, 19 de abril de 2012

Política e Futebol



Caminhando pelas ruas neste domingo,
Dia em que normalmente são calmas e vazias,
Deparei-me com aquela multidão e balbúrdia,
Som de bumbos, cornetaço, bandeiras e gritos

Ante a enorme euforia e ânimo
Que não podiam esconder os cidadãos,
Pensei que os olhos tivessem se aberto e eu fosse presenciar
A tão afamada Revolução Popular.

Mas claro que não! Que tolice...
Era a final do Campeonato Gaúcho!

Quando autoriza o prefeito o roubo
Na forma de aumento nas passagens de ônibus;
Quando os governadores são acusados de corrupção;
Quando senadores são senhores feudais;

Quando empresas demitem em massa;
E carros de luxo estacionam, aos cuidados dos flanelinhas,
Ao lado dos moradores de rua;
Quando sindicatos se vendem e direitos são cortados;

Quando as contas públicas não fecham
E se descobrem mansões de parlamentares;
Quando se destroem as matas e expulsam os índios;
Quando se vendem sem sequer nos consultar

As terras que sempre habitamos;
Quando as eleições são farsa
Que trocam presidentes, governadores, prefeitos,
Mas são sempre os mesmo governantes;

Quando empresas enriquecem e salários não aumentam;
Quando a jornada é longa e as condições precárias;
Quando o desemprego assusta e o assédio moral impera;
Não se vê nenhuma movimentação.

Onde foi parar toda aquela energia?!
Onde se esconde aquela gente cheia de si
Que não teme o Estado e sua polícia?
Quando será que se aprenderá a sair do torpor e direcionar o ânimo?!

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