segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Caminho



Hoje eu durmo aqui nessa cidade.
Sobre amanhã já não posso dizer.
Enfim, não há mais nada que me prenda
Que eu não possa encontrar noutro lugar.
Saio exatamente como antes cheguei.
Qualquer que seja o destino que tanto faz,
Desconfio que as experiências serão as mesmas,
Porém, fantasiadas de novidade pelo ambiente
Conquanto se saiba serem os mesmos sol e lua a brilhar,
E as mesmas pessoas, embora outras, com as mesmas sinas.
As incertezas do caminhar são iguais,
Sejam do caminho que sempre sigo
Ou daqueles que nunca desbravei.

Por isso, vou-me, mas deixo uma parte,
A qual me permitirá sempre estar aqui
E revisitar sempre que eu tenha vontade.
Parto só, mas levo todos.
Assim, não serei abatido pela saudade.
Já se por ventura deixei alguma,
Agradeço e deixo minha lembrança,
Que pouco a pouco vai ser esquecida,
Ultrapassada pelo natural andar das coisas,
E deixo meus textos para, se alguém desejar,
Um dia ser revivido.

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