A
última vez que você veio
Foi
para me dizer adeus.
Agora
diz que vai voltar
E
me faz esperar todo o dia,
Dia
a dia à iminência do regresso.
Aguardo
já como de costume,
Como
tenho feito todos os dias
Para
tentar me confortar
Por
meio do autologro, da ilusão.
Porém,
dessa vez ainda cri
Que
fosse realmente acontecer
E
no próximo segundo
Ao
meu lado estaria você.
Fantasiei
que me diria
Ter
se arrependido de quando partira
E
que agora nada lhe tiraria daqui.
Enganei-me
apesar dos fatos
Os
quais sinalizavam nitidamente,
Tentavam
me acordar,
Chacoalhavam-me
a dizer
Que
não, que você não viria.
Perdi-me
no encanto do sonho
E
julguei por verdadeira a miragem;
Banhei-me
no oásis onde só havia areia;
Contei
as estrelas de dentro do quarto fechado;
Pensei
ser seu corpo que me abraçava
Quando
era a coberta com que eu dormia.
No
entanto, tudo já o sabia
Que
não eram dragões e sim moinhos
Que
não havia céu, mas subsolo
E
os verdes campos eram mentira.
Esperei
de pé à porta
Por
crer que qualquer ruído de passos
Poderia
ser dos seus a me procurar...
Mas
eu restei cansado à soleira da porta.
Mas
eu jazi da espera ansiosa
E
ao canto me sentei...
Contava
o tempo, tentando apressá-lo,
Contudo,
parecia passar o contrário.
Deitei-me
e pus no chão o ouvido
Para
tentar poder ouvir
Seu
caminhar, ainda que longe...
Porém,
a única notícia que me chegou
Foi
o seu eterno silêncio.
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