segunda-feira, 23 de abril de 2012

Silêncio de Junho



A última vez que você veio
Foi para me dizer adeus.
Agora diz que vai voltar
E me faz esperar todo o dia,
Dia a dia à iminência do regresso.
Aguardo já como de costume,
Como tenho feito todos os dias
Para tentar me confortar
Por meio do autologro, da ilusão.
Porém, dessa vez ainda cri
Que fosse realmente acontecer
E no próximo segundo
Ao meu lado estaria você.
Fantasiei que me diria
Ter se arrependido de quando partira
E que agora nada lhe tiraria daqui.
Enganei-me apesar dos fatos
Os quais sinalizavam nitidamente,
Tentavam me acordar,
Chacoalhavam-me a dizer
Que não, que você não viria.
Perdi-me no encanto do sonho
E julguei por verdadeira a miragem;
Banhei-me no oásis onde só havia areia;
Contei as estrelas de dentro do quarto fechado;
Pensei ser seu corpo que me abraçava
Quando era a coberta com que eu dormia.
No entanto, tudo já o sabia
Que não eram dragões e sim moinhos
Que não havia céu, mas subsolo
E os verdes campos eram mentira.
Esperei de pé à porta
Por crer que qualquer ruído de passos
Poderia ser dos seus a me procurar...
Mas eu restei cansado à soleira da porta.
Mas eu jazi da espera ansiosa
E ao canto me sentei...
Contava o tempo, tentando apressá-lo,
Contudo, parecia passar o contrário.
Deitei-me e pus no chão o ouvido
Para tentar poder ouvir
Seu caminhar, ainda que longe...
Porém, a única notícia que me chegou
Foi o seu eterno silêncio.

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