quinta-feira, 3 de maio de 2012

1º de Maio



Amanhã, 1º de junho...
Mas na agenda dos meus versos
O seu próprio calendário
Diz-me que amanhã é 1º de maio.

Enquanto antes adiantei-me no tempo,
Agora a cada dia que passo,
Parece que volto dois mais.
Mas agora, o navio em que viajo,
Atraquei no cais.

Vou passar aqui o feriado.
Amanhã,
Dia do trabalhador, não do trabalho,
No sábado ensolarado
Descansarei do que me prende:

Meu servicinho estúpido
Que não me permite seguir com o vento
A descobrir novas paisagens e caminhos.
Odeio-o, mas também amo,
Pois é meu sustento.

Só para isso o trabalho serve,
Para lhe mostrar o sofrimento
Da vazia obrigação
E depois, ao final do expediente,

Mostrar-lhe a alegria da liberdade
(Que você não tem)
Que você pode desfrutar todo dia,
(Apesar de ser noite. O sol já se vai)

E assim, apreciar o instante
(Bem curto)
Em que se pode relaxar.

Vemos assim o quanto é valioso
Cada feliz segundo da vida
Cada momento que temos perdido
Sob o fardo doloroso
Da exploração no trabalho.

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