domingo, 27 de maio de 2012

Um Poema Perdido



Não, não. Não chovia; chove.
Na minha alma sempre chove.
Mas não mais como na de Fernando Pessoa.
Na minha, é de início de abril. Outono.
Mas sem melancolia.
Nostalgia sim. Saudade.
Desejo da mesma chuva que despede,
Mas anseia, ou sabe que vai, voltar.
Aqui sempre chove, mas, e aí?

Parece que aí não.
Não só não chove, como secou.
Alastram-se as areias do deserto.
Há somente o rastro das serpentes invisíveis
A assustar enquanto se caminha,
Guiado por miragens,
Em vã busca pelo oásis prometido, sonhado.
Mas, o alternar de silêncio e tempestade de areia
Conta o destino para o qual
Os olhos teimam em se fechar.

Ah, a esperança...
Mesmo depois de perdida,
Mantém-nos a caminhar, perambular,
Nem que seja para tentar (re)encontrá-la.

Parece que estou só
Abraçando o ar
Falando com as árvores e imaginando
Que o farfalhar das folhas é voz que me responde.

Tudo bem, ficarei em silêncio
Esperando o minuano passar.

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