Não,
não. Não chovia; chove.
Na
minha alma sempre chove.
Mas
não mais como na de Fernando Pessoa.
Na
minha, é de início de abril. Outono.
Mas
sem melancolia.
Nostalgia
sim. Saudade.
Desejo
da mesma chuva que despede,
Mas
anseia, ou sabe que vai, voltar.
Aqui
sempre chove, mas, e aí?
Parece
que aí não.
Não
só não chove, como secou.
Alastram-se
as areias do deserto.
Há
somente o rastro das serpentes invisíveis
A
assustar enquanto se caminha,
Guiado
por miragens,
Em
vã busca pelo oásis prometido, sonhado.
Mas,
o alternar de silêncio e tempestade de areia
Conta
o destino para o qual
Os
olhos teimam em se fechar.
Ah,
a esperança...
Mesmo
depois de perdida,
Mantém-nos
a caminhar, perambular,
Nem
que seja para tentar (re)encontrá-la.
Parece
que estou só
Abraçando
o ar
Falando
com as árvores e imaginando
Que
o farfalhar das folhas é voz que me responde.
Tudo
bem, ficarei em silêncio
Esperando
o minuano passar.
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