sábado, 5 de maio de 2012

Escrevendo Poemas



Para escrever um poema,
Uma lição é preciso:
Não diga a origem do tema.
Não vá perder o juízo!

Deixe somente os rabiscos
E quem quiser os vai colorir,
Terminar os esboços sem capricho
E crer que a poesia estava ali.

“Não há como se escrever
Tão detalhado o meu íntimo
Se meu pensamento não prova você,
Nem da minha vida a melodia, o ritmo!

“Como pode saber alguém
O que enclausurado, escondido, sinto
Se não houver experimentado além?
Nem os deuses do Olimpo!”

Há de me indagar o leitor,
Indignado e meio pasmo,
Mas dos seus olhos o furor,
Um poeta faz-me-o.

Mostrar-lhe o seu próprio amor,
É decerto um grande abuso,
Mas o poeta, além de fingidor,
É também um ser intruso.

Invade a mente do passante
Sem sequer lhe pedir licença
E em arroubos delirantes,
Tenta imaginar o que ele pensa.

Rouba-lhe e devolve o que é seu
Como se fosse o maior presente.
Esteja certo: Um poeta no apogeu,
Em tudo que escreve sempre mente.

Como eu me pretendo ser poeta,
Em dizer a verdade não me esmero.
Se você a tem como meta,
Para poesia está à esquerda do zero.

Mas, não creia neste texto.
Já que está escrito em verso,
Tem o poema como pretexto
Pra falar tudo o inverso.

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