Para
escrever um poema,
Uma
lição é preciso:
Não
diga a origem do tema.
Não
vá perder o juízo!
Deixe
somente os rabiscos
E
quem quiser os vai colorir,
Terminar
os esboços sem capricho
E
crer que a poesia estava ali.
“Não
há como se escrever
Tão
detalhado o meu íntimo
Se
meu pensamento não prova você,
Nem
da minha vida a melodia, o ritmo!
“Como
pode saber alguém
O
que enclausurado, escondido, sinto
Se
não houver experimentado além?
Nem
os deuses do Olimpo!”
Há
de me indagar o leitor,
Indignado
e meio pasmo,
Mas
dos seus olhos o furor,
Um
poeta faz-me-o.
Mostrar-lhe
o seu próprio amor,
É
decerto um grande abuso,
Mas
o poeta, além de fingidor,
É
também um ser intruso.
Invade
a mente do passante
Sem
sequer lhe pedir licença
E
em arroubos delirantes,
Tenta
imaginar o que ele pensa.
Rouba-lhe
e devolve o que é seu
Como
se fosse o maior presente.
Esteja
certo: Um poeta no apogeu,
Em
tudo que escreve sempre mente.
Como
eu me pretendo ser poeta,
Em
dizer a verdade não me esmero.
Se
você a tem como meta,
Para
poesia está à esquerda do zero.
Mas,
não creia neste texto.
Já
que está escrito em verso,
Tem
o poema como pretexto
Pra
falar tudo o inverso.
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