É
tempo de copa do mundo,
De
esquecer os problemas todos.
Desde
os ricos aos mais rotos
Unem-se
nesse delírio infecundo
E
se põem – unidos cada qual em seu canto - a torcer.
De
que importa o genocídio no Quirguistão
Se
hoje vence a 'nossa' seleção?
É
o do futebol arroubo patriota.
De
que interessa a miséria idiota
Se
não se tem livros, mas tem TV?
E
de repente eis que uma moradora de rua
Com
sua roupa em trapos, suja,
Pergunta
na porta do bar quanto está o jogo,
Pois
em seu peito iludido arde o fogo
Que
a faz se preocupar com a pátria padrasta,
Mãe
nada gentil que a abandonou.
Que
nação é essa?! Quanta hipocrisia! Basta!
E
enquanto escrevo, todos gritam: Gol!
Quem
é você meu Brasil rico
Crescente
potência no cenário mundial?
Onde
eu entro, onde eu fico?
Que
importa a violência policial ou a desigualdade social?
Ah
claro, mas eles tem direito à diversão...
Mas
tem todo dia, não só de quatro em quatro anos!
Enquanto
houver na rua um sem teto,
Alguém
discriminado, ignorado, a viver mal aqui,
Enquanto
alguém for ainda feto
Já
condenado à pobreza, fome e morte,
Sem
que seu representante sequer se importe,
Terei
vergonha da terra onde nasci.
Verde,
amarelo, branco, azul anil,
Que
se dane a seleção do Brasil!
Que
perca sempre com seus jogadores milionários
Enquanto
há tantos desempregados,
E
os obrigados a se vender por salário de fome.
(escravos)
No
lugar de onde vim, os povos não tem nome,
Não
há desigualdade, subordinação, hierarquia,
Nem
essa distinção do outro, patifaria!
E
só há uma lei, a do mútuo respeito.
Quem
não impele nada ao outro, é aceito.
Não
existe divisa, limite ou fronteira.
Ora,
que se dane a seleção brasileira!
Nenhum comentário:
Postar um comentário