segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Copa do Mundo é Nossa...



É tempo de copa do mundo,
De esquecer os problemas todos.
Desde os ricos aos mais rotos
Unem-se nesse delírio infecundo
E se põem – unidos cada qual em seu canto - a torcer.
De que importa o genocídio no Quirguistão
Se hoje vence a 'nossa' seleção?
É o do futebol arroubo patriota.
De que interessa a miséria idiota
Se não se tem livros, mas tem TV?
E de repente eis que uma moradora de rua
Com sua roupa em trapos, suja,
Pergunta na porta do bar quanto está o jogo,
Pois em seu peito iludido arde o fogo
Que a faz se preocupar com a pátria padrasta,
Mãe nada gentil que a abandonou.
Que nação é essa?! Quanta hipocrisia! Basta!
E enquanto escrevo, todos gritam: Gol!

Quem é você meu Brasil rico
Crescente potência no cenário mundial?
Onde eu entro, onde eu fico?
Que importa a violência policial ou a desigualdade social?
Ah claro, mas eles tem direito à diversão...
Mas tem todo dia, não só de quatro em quatro anos!

Enquanto houver na rua um sem teto,
Alguém discriminado, ignorado, a viver mal aqui,
Enquanto alguém for ainda feto
Já condenado à pobreza, fome e morte,
Sem que seu representante sequer se importe,
Terei vergonha da terra onde nasci.
Verde, amarelo, branco, azul anil,
Que se dane a seleção do Brasil!

Que perca sempre com seus jogadores milionários
Enquanto há tantos desempregados,
E os obrigados a se vender por salário de fome.
(escravos)
No lugar de onde vim, os povos não tem nome,
Não há desigualdade, subordinação, hierarquia,
Nem essa distinção do outro, patifaria!
E só há uma lei, a do mútuo respeito.
Quem não impele nada ao outro, é aceito.
Não existe divisa, limite ou fronteira.
Ora, que se dane a seleção brasileira!

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