segunda-feira, 21 de maio de 2012

Fardo, Fado, Fato



O peso que carrego sobre os ombros
Deito ao chão assim que pesa.
Querer sofrer e buscar elevar-se não faz sentido.
Não sofro com o sofrimento.
Como sentimento, é bom experimentar,
Mas se passa dos limites, que vá embora.
Se for obrigação, melhor ainda.
O fardo serve para experimentar o alívio,
Assim como a fome serve para aumentar o prazer
Que se tem ao comer, ao saciá-la.
Direito que todos deviam ter.
Explorar-me seu fardo,
É um pouco mais difícil do que você pensou.
Sou preguiçoso, indolente, pachorrento,
Modorrento, desleixado, desligado,
Inconstante. Um peso morto.
Eu sou o próprio peso,
Por isso não consegue pesar tanto sobre mim.
Na hora que me enche, o deixo.
Desisto.
Assim, leve – ainda peso -
Flutuo, rondo à volta,
Peso na sua impotência de me ser peso.
Você fardo, que é meu fado,
Está condenado a perder.
Se se fizer minha vida,
Abdico dela também, você bem sabe.
Só se sabe o peso de algo se alguém o pesa,
Logo, fardo, me escolhendo, você deixa de existir.
Se quiser, pode andar ao meu lado,
Ser amigo, conselheiro,
Porém, assim também deixa de ser fardo.
De qualquer forma, deixa de existir, isso é fato.

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