segunda-feira, 14 de maio de 2012

Passar o Tempo



A idade que eu tenho,
Tenho mais, tenho menos,
Não tenho mais.
Olho-a, e ela está errada.
Sou mais velho.
Às vezes mais novo.
O tempo, ignoro-o.
Tenho meu próprio tempo.
Caminho, sigo
Indo e vindo
Vivo e revivo
E ainda quando menor é minha idade,
Acumulo, adiciono.
Não aceito o que está,
A que estou.
Para Kierkegaard,
Desespero.
É bem verdade que desespero
por não esperar,
Mas creio ser combustível
Para ser relativo,
Brincar com o tempo
Como ele brinca conosco,
Aceitá-lo para, nas regras dele,
Sobrepujá-lo.
Não vencê-lo, pois é impossível,
Porém poder competir.
Não corro atrás dele,
Mas em sentido contrário
Até dar de frente com ele.
Se canso, sento, paro, aguardo
E quando ele passa correndo, quase voando,
Ponho o pé na frente.
Quando ele cai, me levanto e corro.
Assim passo o tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário