Uma
senhora de idade avançada,
Nas
primeiras horas da manhã
Observa
desde sua sacada
Os
transeuntes, doutores, cunhãs
Jovens
a caminho da escola,
Vidas
correndo, indo e vindo...
Por
tudo seu olhar rola,
Passeia
desatento, quase findo.
Não
é capaz de encontrar nada
A
não ser as próprias pessoas
Que
lhe recordem a infância passada.
Tudo
novo. É impossível que essa ausência não lhe doa.
Quem
terá sido essa mulher?
O
que quer que tenha sido, foi.
Hoje,
a ela, não vê pessoa qualquer.
O
rosto plácido não esconde que dói.
Somente
o tédio a preencher o dia
E
daquilo que gostava, consegue fazer nada...
Sonha,
vive de lembrança do que fazia
E
tomara que nisso haja mais que sacada.
Espera...
Espera desejosa e relutante
Tal
qual aquela da tarde no parque,
Senhora
muito idosa, cadeirante,
Que
enquanto o tempo adia o embarque
Deve
sentir-se ofendida pela enfermeira
Que
a trata como se fosse criança.
Não
creio haver quem isso queira,
Mas
o silêncio imposto cansa
E
obriga a falar deixando de lado os brios,
A
experiência, o orgulho, o conhecimento,
A
história que escondem os olhos já sombrios,
A
riqueza e o consequente sofrimento de dentro.
A
riqueza sem reconhecimento sofre.
A
vida ali foi prescrita, proscrita,
Enjaulada,
presa num cofre...
E
se antes era sorte, agora, desdita.
Dia
após dia... noite.
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