Tudo passa, é verdade
Mas a certa altura
Passa tudo mesmo
Mesmo o que deveria ficar
Passa a vida e nem me olha na
cara.
Melhor assim, pois não quero
defrontá-la
Passa a vida e mal educada
Sequer me cumprimenta.
Deixe-a ir. Prefiro. Não quero
confrontá-la.
Passa e, como a lebre à
tartaruga,
Adiante se detem e descansa
Não sei se para mostrar o caminho
Ou se para me lembrar que a ela
sou nada
Que ela pode alcançar sempre mais
que eu
Não tenho como controlá-la.
Por mais que eu quisesse provar
Que posso construir outros
caminhos
Arrasto-me na direção dela
Lutando contra a estafa
Que os rumos que ela traça, me
impõem
Porém, não sabe ela que tenho
meus truques
A dor que me aflige, que não
posso suportar,
Passo. Passo pro papel e divido
por sete bilhões.
E quando me esgoto da vida que me
cerca
Dela me alimento para seguir e
conseguir
Só que quando eu chegar
Ela, descansada, se põe novamente
a correr
A vida corre. Para que a pressa?!
- Ei, para! Espera!
Espero tanto de ti
E tu esperas nada por mim?!
Pulha, vil, patife.
Não vale nada…
Vida ingrata!
* Poema que se segue ao conto "As Cartas"
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