segunda-feira, 4 de junho de 2012

Em ré menor vida*



Tudo passa, é verdade
Mas a certa altura
Passa tudo mesmo
Mesmo o que deveria ficar

Passa a vida e nem me olha na cara.
Melhor assim, pois não quero defrontá-la
Passa a vida e mal educada
Sequer me cumprimenta.
Deixe-a ir. Prefiro. Não quero confrontá-la.

Passa e, como a lebre à tartaruga,
Adiante se detem e descansa
Não sei se para mostrar o caminho
Ou se para me lembrar que a ela sou nada
Que ela pode alcançar sempre mais que eu
Não tenho como controlá-la.

Por mais que eu quisesse provar
Que posso construir outros caminhos
Arrasto-me na direção dela
Lutando contra a estafa
Que os rumos que ela traça, me impõem

Porém, não sabe ela que tenho meus truques
A dor que me aflige, que não posso suportar,
Passo. Passo pro papel e divido por sete bilhões.

E quando me esgoto da vida que me cerca
Dela me alimento para seguir e conseguir

Só que quando eu chegar
Ela, descansada, se põe novamente a correr
A vida corre. Para que a pressa?!
- Ei, para! Espera!
Espero tanto de ti
E tu esperas nada por mim?!
Pulha, vil, patife.
Não vale nada…
Vida ingrata!

* Poema que se segue ao conto "As Cartas"

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