segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Medo



Se ama por medo de que ninguém pratique o amor
E com isso não se seja amado.
Se inveja por medo de não poder ser igual ou melhor
E, com isso, ser esquecido.
Se ajuda por medo de na hora em que precisar
Não se lhe estenda a mão, só deem as costas.
Se sente triste por medo de que a situação não mude.
Se mergulha em angústia por medo de descobrir a própria impotência.
Se odeia por medo puro do outro.
Se discrimina por medo de o outro mostrar que se estava errado.
Se prende e mata por medo da liberdade do outro prender e matar.
Se acovarda por medo de perder
E se tem coragem por medo de parecer covarde.
Se desenvolve a religiosidade por medo de não ser mais que nada,
Por medo de se encontrar sozinho,
Por medo de que não haja ninguém para nos proteger
E de que a injustiça sofrida permaneça sempre impune,
Assim como se teme a morte
Por medo de não ter feito em vida o que devia.
Se trabalha por medo da miséria e de passar fome.
Se julga por medo de que vejam as 'falhas' por trás das aparências.
Se mente por medo de ser julgado e condenado.
O medo agride por prevenção e para não ser descoberto.
Somos movidos pelo medo, e,
Por medo, matamos a vida que existe em tudo que não há medo.

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