segunda-feira, 4 de junho de 2012

Malogro da Vontade



Enquanto no quarto toca a música que me leva
Eu, deitado, deposito toda minha energia na audição.
Já não sou mais eu. É, pois, a melodia meu coração
E o ritmo e a harmonia, minhas daninhas ervas.

Ergo-me como quem vai se jogar e abro a janela.
Olho toda a fachada do prédio em frente
Onde só um cão numa sacada me vê, por acidente.
Miro abaixo, suspiro… E junto com a veneziana fecho-me a cela.

Para chamar a polícia e me impedir, não haveria ninguém,
Com o que se completaria o meu total fracasso… e daí?
Bem já dizia Fernando Pessoa e me cabe tão bem
Que não sou nada, nunca serei, nem posso querer ser nada. Aí

Justo aí há uma diferença entre nós, pois não à parte, mas se soma
Que não tenho mais sequer um dos sonhos do mundo.
A esvaziar-me o ânimo já fraco, me pergunto
Por que a vida às vezes cisma conosco e de nós zomba.

E lá do quarto onde, que me espera ou esperava, há alguém,
Ouço: “Vou embora! Assim já é demais!”
Pois ok, penso. Que cada um siga sua vontade! Aqueles que ainda a tem…
A minha, perdi uma vez e não a pude achar nunca mais.

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