Enquanto
no quarto toca a música que me leva
Eu,
deitado, deposito toda minha energia na audição.
Já não
sou mais eu. É, pois, a melodia meu coração
E o ritmo
e a harmonia, minhas daninhas ervas.
Ergo-me
como quem vai se jogar e abro a janela.
Olho toda
a fachada do prédio em frente
Onde só
um cão numa sacada me vê, por acidente.
Miro
abaixo, suspiro… E junto com a veneziana fecho-me a cela.
Para
chamar a polícia e me impedir, não haveria ninguém,
Com o que
se completaria o meu total fracasso… e daí?
Bem já
dizia Fernando Pessoa e me cabe tão bem
Que não
sou nada, nunca serei, nem posso querer ser nada. Aí
Justo aí
há uma diferença entre nós, pois não à parte, mas se soma
Que não
tenho mais sequer um dos sonhos do mundo.
A
esvaziar-me o ânimo já fraco, me pergunto
Por que a
vida às vezes cisma conosco e de nós zomba.
E lá do
quarto onde, que me espera ou esperava, há alguém,
Ouço:
“Vou embora! Assim já é demais!”
Pois ok,
penso. Que cada um siga sua vontade! Aqueles que ainda a tem…
A minha,
perdi uma vez e não a pude achar nunca mais.
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