Tudo concreto, sólido,
perfeitamente real,
Transborda a verdade absoluta
E pretende erguer edifícios
eternos tal qual
A lendária Babel, sob a égide da
batuta
Da razão do moderno e do palpável
Enquanto minguam os anseios fluidos
Que noutros momentos não conheciam
irrealizável
E espalhavam sementes com sonhos
muitos
Mesmo conhecendo a dificuldade de,
com o asfalto
A cobrir a terra irregular do
passado,
Seria germinar esses sentimentos
altos
Vistos pelo afã de novo como
retrógrado enfado.
Mas, como escrevera um poeta,
Entre as ranhuras do pavimento
moderno
Insiste em surgir frágil, pequena
e discreta
A flor, o caniço, a árvore que
esperam futuro terno.
Por vezes plantados sem sequer se
dar conta,
Desapercebido mesmo da casa em que
cansado se apoia,
Vagaroso cresce o símbolo do
anseio que remonta
Aos tempos fluidos de pessoas
livres das joias
De razão, certeza e saber
cientificoacadêmico;
Diferentes dos eucaliptos que
rápido alcançam o céu
Simplesmente para fazerem o
industrial da celulose rico,
Já que tão logo também tombam pra
virar papel,
Se enraíza o caniço tímido,
semeado escondido,
No espírito do cidadão atento e se
alimenta por fim
Moldando um mundo de idéias de
fluidez concreta nunca vencido,
Pois só assim, com sonhos, se
garante o futuro do Benjamin.
O mundo que sei que sonha para o
neto Benjamin,
É um mundo onde as pessoas sejam
capazes de perceber
O que você percebe quando ele está
em seu colo assim...
Quem sustenta não é você, mas ele:
o vigor do bebê,
A energia que dele transborda e
que lhe sana,
O ânimo que ele injeta como divina
providência.
Não é você que transmite com
palavras o quanto o ama....
É ele quem, mesmo sem querer,
transmite com a presença,
Com a existência, com o palpitar
do coração,
Quando ele acolhe ao se entregar e
se confortar em seu peito,
O quanto de ser sentida e
apreciada para além da razão
De ser celebrada, amada, tem a
vida o direito.
E por isto, principalmente por
isto,
Enquanto ele dorme, devemos
continuar acreditando...
sensacional
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