Gosto desta esquina.
Aqui onde estas duas ruas se cruzam,
Onde estas quatro quadras se encontram
E a gente passa sem se ver,
Eu simplesmente não existo.
Que poderia eu interessar se estes
prédios já viram tanto
Em suas centenas de anos de história?
Tantos outros eus aqui já se detiveram
Já os admiraram e pensaram.
Quantas lágrimas terão vivido estes
edifícios?
Neles, gente conseguiu seu primeiro
emprego
Perdeu seu último
Dentro e fora deles tantos amaram
Tantos foram perseguidos, dedurados
Aqui neste mesmo bar gente comemorou
Embebedou-se, saiu sem pagar
Quantas brigas e surras não terão
visto?
Quantos fugindo da polícia, sendo
presos,
Gritando por direitos ou contra deveres?
Certamente já desistiram de tudo
E se atiraram de suas janelas.
Minha vida aqui, o que é? O que vale?
Seria no máximo mais uma história
A se acumular na lembrança destas
paredes
A ser contada pelo limo e pela poeira
do passar de seus anos
A alguém que se detenha aqui
E os tente ouvir
Se eu pudesse escolher
Eu seria esta esquina
Mas não posso
Ela sim, em uma ínfima parte de si
Tem-me inteiro.
Tem-me inteiro.
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