É noite tétrica e silenciosa
Na qual se desfolha a rosa.
Consome-se minha força, e se faz
Em mim um tédio, que eu nunca vi atrás.
O vazio deixa taciturno o meu coração.
Minha alma e solidão jamais s’emanciparão.
Do meu prédio subo ao terraço.
Aquela amplidão...Aquele espaço...
Subo então agora no parapeito;
O fardo do ombro desce ao peito,
Não neste momento me sento...
Um grão de areia voa ao vento.
............
Enquanto me aproximo do chão,
Minha tristeza e lamento se vão.
O que rasga minhas costas?
Por quem as asas foram postas
Que não me deixaram morrer,
E trouxeram alívio ao meu ser?
As luzes das casas do morro
Voam aos céus e iluminam o forro!
Antes triste e negro agora brilha
Tão belo quanto jamais fora visto!
Ó! O que? O que fizera isto?
Universo, agora faz jus à lua tua filha.
Meus grilhões por um instante
Quebraram-se e sigo adiante
Sem em minha alma ter chuva;
Neste momento a noite é dia
E tenho até um pouco de alegria,
E ‘inda não vejo a temida curva...
Fato mágico, grande sonho.
À minha janela, flores eu ponho.
Sinto vida, beleza, esperança.
Meu peito, de pedra não é mais.
Em enlevo estou; estou em paz!
A nova alvorada nem me cansa.
Como é bom! Quero sentir para sempre!
Feliz dia em que saí do ventre!
Quero toda a eternidade
Sem achar-me num deserto.
Serei satisfeito! Isso é certo!
Quero toda a felicidade!
...................
Noutro ponto ouço uma voz
Que está acima de nós.
É fria, mas prazerosa. É estrondosa!
Acho que, o desejo, vai realizar!
Terei família e doce lar?
Fizemos essa escolha maravilhosa.
(O desejo agora é verdade.
Não há motivo para saudade.
É o fado que todos temos.
Não há fuga, compreendamos!)
(Meu corpo estala ao chão quebrado,
Sem ninguém ao meu lado.
Mas agora sou livre.
É o sonho que sempre tive!)
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