Uma cigana viu em seu tarô
Que cedo morrer eu vou.
Eu disse-lhe ainda bem,
Pois co’a morte vou além...
Além da tristeza e da tortura,
Que na vida se afigura.
Olvidarei a acre amargura
A qual, em vida, não tem cura.
Perderei a formosura, ó lua
Que é somente tua.
Mas eu também ganharei
A liberdade da alma e serei rei!
Para mim poderei ser tudo.
Farei o feio pombo mudo.
Já não mais decerto serei...
Sonhar é tudo que amei.
Posso, da morte, pensar o que quiser!
A alguém que me contestar vier
Direi:-- Pode ser só sonho,
Mas, Belo faço o teu fado medonho.
A cigana ficou um tempo muda,
E depois murmurara: —Que coisa absurda!
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